Engenharia de Guerra, Bateristas e Coleções

A revolucionária engenharia de guerra nazista

Os alemães foram mestres em produzir armas de reconhecida beleza e alto poder de destruição

João Barone | 01/05/2007 00h00

Um capítulo da Segunda Guerra de grande apelo diz respeito à capacidade e genialidade dos nazistas em projetar e produzir máquinas bélicas. Os alemães eram mestres em conceber verdadeiras obras-primas de engenharia mecânica, unindo funcionalidade e design, que resultaram em máquinas de reconhecida beleza e alto poder de destruição, sob a forma de armas, navios, aviões e até foguetes. Assim, criaram-se lendas dos campos de batalha. Para tal, homens extremamente qualificados manejavam máquinas eficazes, levando a arte da guerra ao mais alto patamar na história, o que exigiu dos Aliados um esforço monumental para por fim ao “Reich dos mil anos”, idealizado pelos nazistas.

Quando o regime nazista resolveu burlar as restrições armamentistas impostas à Alemanha depois da Primeira Guerra, as Forças Armadas alemãs (Heer) começaram a ser reequipadas com modernas máquinas e treinadas na nova doutrina militar, para aplicar o conceito de guerra rápida. Conceito testado com sucesso na Guerra Civil Espanhola, nos anos 30, e depois aplicada em 1939, na invasão da Polônia, com eficiência mortífera: a guerra-relâmpago. Para aplicar esse conceito moderno, eram necessários também equipamentos modernos, como aviões e tanques, pela primeira vez usados em conjunto pelos alemães. A nova doutrina de guerra, defendida em tese e aplicada na prática pelo general Heinz Guderian, até hoje orienta as táticas de guerra modernas.

A infantaria, mãe de todas as armas, é a que mais necessita de meios para ganhar terreno e firmar posição. E para o infante alemão foram criadas algumas das melhores armas de fogo da história. As metralhadoras MG-34 e MG-42 tinham vazão de tiro muito superior a das similares aliadas, eram mais leves e mais fáceis de manusear. A pólvora usada pelos alemães foi aperfeiçoada para produzir menos fumaça. Assim, no campo de batalha, era difícil identificar a proveniência dos tiros. A ponteira no cano das metralhadoras foi projetada para dissipar o fogo da munição e não denunciar a posição do atirador. As armas portáteis alemãs também eram reconhecidamente bem projetadas e funcionais, como as lendárias pistolas Luger e Walther PPK. O fuzil Mauser Kar98k era tão confiável que se tornou a arma-padrão da Wehrmacht durante toda a guerra. Já no final da guerra, os alemães precisavam de uma arma equiparável à ótima metralhadora russa PPSh-41, de excelente precisão e vazão de tiro, e acabaram projetando o primeiro rifle de assalto da história, o StG-44, avô dos rifles atuais, como o M-16 americano e o AK-47 russo.

Artilharia pesada

Em matéria de artilharia pesada, os alemães também escreveram história. Os gigantescos canhões ferroviários Dora e Gustav, com 80 cm de boca, atiravam projéteis de 2 toneladas, a mais de 70 km de distância. O enorme morteiro Thor, montado sobre esteiras, tinha 54 cm de calibre e alcance de 7 km. Já o notório canhão de 88 mm tornou-se a mais famigerada arma do gênero e foi o mais temido pelos Aliados. Originalmente uma arma antiaérea, o canhão FlaK 88 era funcional e mortalmente preciso, mandando petardos de fragmentação ao encontro das esquadrilhas de bombardeiros aliadas que voavam a 10 mil metros de altura. Durante a guerra no norte da África, os alemães descobriram a letal eficiência do “88” como arma antitanque. Batizado como PaK 88, era capaz de perfurar 15 cm de blindagem, a mais de 2 km de distância! E foi montado sobre tanques como canhão autopropulsado.

No mar, a Marinha nazista começou bem a guerra, mas não houve tempo de equipá-la com navios suficientes para superar ou mesmo equiparar-se ao poderio naval inglês – os alemães não chegaram a terminar a construção do único porta-aviões nazista, o Graf Zeppelin. Nomes de famosas belonaves da Kriegsmarine (Marinha de guerra), como o “cruzador de bolso” Graf Spee (uma das primeiras naus de guerra equipada com sonar), Bismark, Prince Eugen e o Tirptz entraram para a história, mesmo sendo, em sua maioria, postos a pique pelos ingleses. Além desses, os não menos famosos u-boats escreveram uma página de terror afundando toneladas de navios aliados nos comboios do Atlântico Norte.

Nos céus da Europa, a Luftwaffe começou a guerra empregando aviões superavançados, fabricados em inúmeras linhas de montagem. Alguns dos melhores caças na história da aviação saíram das pranchetas de engenheiros alemães, como o Messerschmitt Bf-109, o Focke-Wulf Fw-190 e o primeiro caça a jato operacional da história: o Me-262.

Uma rápida análise do potencial destrutivo e da eficácia da máquina de guerra nazista causa um estranho desconforto – e um grande alívio – a qualquer cidadão nos dias de hoje, ao saber que a limitada quantidade de matérias-primas para a indústria alemã e a eficiente supremacia logística aliada impediram que essas máquinas mortíferas nazistas fossem produzidas em maior quantidade e evitaram que o mundo caísse nas mãos de Adolf Hitler e seus asseclas.

João Barone, baterista dos Paralamas do Sucesso, coleciona peças e carros militares da Segunda Guerra Mundial e estuda diversos temas referentes a esse e outros conflitos históricos.

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Engº Hermom Leal


1.Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Univ. de Cuiabá - UNIC;
2.Engenheiro Eletricista/Telecomunicações pela Univ.Federal de Mato Grosso;
3.Mestrando em Engenharia de Produção pela Univ. Federal de Rio Grande do Sul (UFRGS);


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