Archive for the 'Educação e Engenharia' Category

E a coleção desse ano de 2016 ficou +/- assim:

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Entrevista sobre Furto de Energia Elétrica

 

Sobre a ética nas organizações: Diferença entre o trabalho em equipe e trabalho em conluio: a origem. Parte 1

Sobre a ética nas organizações:

Diferença entre o trabalho em equipe e trabalho em conluio: a origem.

 Parte 1

 Por: Hermom Leal

                                                                                              “Dois homens juntos são mais felizes que um isolado, porque obterão um bom salário de seu trabalho.” Eclesiastes 4:9

 O trabalho em equipe é uma das aptidões mais necessárias e destacadas na maiorias das atividades profissionais que envolvem grupos, equipes, e estruturas hierárquicas instruídas por regimento, estatuto, organograma ou fluxograma de cargos e funções. Estruturas organizacionais triviais como a família, por exemplo, para sobreviver minimamente bem aplicam princípios básicos do trabalho em equipe como a divisão de tarefas, cooperatividade, comunicação, cadência, interatividade, etc.

Os principais programas de gestão de qualidade, a exemplo das Normas de Gestão de Qualidade ISO, trabalham com o conceito básico do Ciclo PDCA – Plan-Do-Check-Action cuja plataforma está no compromisso direto e na sinergia entre membros da organização. O planejamento de metas, a ação conjunta e organizada, a supervisão e o ajuste e correção das falhas são imprescindíveis para qualquer ação produtiva coletiva ou individual.

Para este contexto são necessários que os atores atuem em conjunto sob a uma ou mais lideranças. O líder além de exercer a direção da equipe, tem função de coach, treinador da equipe, que organiza, estimula, testa, supervisiona, inspira e prepara sua equipe para os desafios que o grupo enfrentará buscando assim induzir sua equipe à proatividade, iniciativa, responsabilidade até o momento em que as coisas aconteçam organizadamente, de forma automática e sistêmica, podendo assim identificarmos neste grupo uma cultura organizacional.

Muito se fala de trabalho em equipe inclusive nos próprios ambientes acadêmicos, local principal de ensino desta técnica como ferramenta de trabalho. Mas pouco têm-se aplicado neste ambiente que é seu nascedouro natural e local de reflexão. Especificamente e em tese, o(a) professores(as)(a) deve colocar em prática sua própria teoria diferentemente de modelos de pedagogia centralizadora baseadas e práxis de ensino personalíssima que imprimem uma dinâmica individualista em sala de aula evidenciada por sua dinâmica do tipo quadro (power point), giz (pincel), saliva(mídia audiovisual). O receptáculo do conhecimento (aluno) , – neste caso – continua sendo um mero reprodutor de conteúdos que objetivem garantir sua nota (média para aprovação, em geral) desde que reproduza ipsis literis aquilo que foi ministrado expositivamente. Mas onde fica a formação para o trabalho em equipe, a formação de lideres, de gestores e agentes que visem promover de fato a mudança em suas atuais ou futuras organizações?

Por mais trivial que pareça a resposta é uma questão de ética. Sim! Afinal de quem é o dever de ensinar e aplicar e de quem é o dever de aprender e aplicar? A resposta é: de professores(as) e alunos(as). No entanto, a ausência de ética nesta primeira organização de preparo da vida profissional inicia-se sem ética. Sim a falta de ética entre alunos e professores(as) e vice-versa.

Quando um(a) professor(a) se restringe a aplicar seu conteúdo, sua ementa e testar através de um sistema de avaliação básica, ele está sendo isto mesmo: mero(a) professor(a). Um educador vai além, pois sua relação não é meramente comercial (bico) ou trabalhista (complementação de renda, aposentadoria, status), é antes de mais nada ideológica. O verdadeiro ensino não se molda à mediocridade de contratos de trabalho e cumprimento de carga horária que dificilmente são cumpridos em estruturas menos organizadas. Alguém poderia dizer que o cumprimento do horário de aula como foi contratado pelo aluno(a) (cliente) tornaria o ensino engessado, ou que seria improdutivo manter alunos(as)s que não gostariam de estar no ambiente por n motivos como trabalhar o dia inteiro e estar cansado, possibilidade de perder o ônibus, a violên cia aos arredores, ou alguns motivos mais promíscuos: sabotar o(a) professor(a) para que não cumpra a contento seu conteúdo e cobre menos na avaliação. Mas, perguntemo-nos, esta é uma questão de ética? A resposta é: inequivocamente sim.

A faculdade é o lugar onde oficialmente deveria se aprender ética e o primeiro a desprezá-la, deixá-la e colocar em prática primeiramente através do ensino ministrado aquilo que é não ético. O desprezo ao bom costume, ao regimento, ao código ético de docentes e discentes é o primeiro ato da formação de uma geração estudantil antiética ou eticamente relativista. Prova disto é o conluio entre professores(as) e alunos(as)s.

A relação aluno(a)-professor(a) em muitas instituições educacionais passou a ser definida pela palavra collūdĭum,ĭi, do latin, que conforme Cynthia Amaral em seu Vocabulário Jurídico, significa jogo, entendimento e combinação maliciosa entre duas ou mais pessoas com o objetivo de enganar uma terceira pessoa, ou de se omitir ao cumprimento de uma lei. Esse contrato feito entre professor(a) e aluno(a) ou entre professor(a) e coordenador de curso, pode basicamente ser expresso por aquela máxima bastante conhecida no ambiente acadêmico que define ambos como aquele(a) “professor(a) que finge que ensina e aluno(a) que finge que aprende”, estabelecendo o atual pacto da mediocridade entre alguns(mas) professores(as) e alunos(as), o que isenta ambos de maiores atritos ou contratempos: o aluno(a) recebe sua nota (média para passar na matéria) e o(a) professor(a) recebe seu salário em dias.

Eis a fórmula e a origem do mal para qualquer organização: o conluio, que começa nas relações alunos(as) -professores(as), alunos(as)-alunos(as) (cola), professores(as)(a)-professores(as)(a) (política, poder, aumento de salário, visibilidade, etc) e que se estende a todo e qualquer relação que vise um objetivos genuinamente benéficos para o indivíduo ou para a coletividade. O conluio é a antítese da essência do trabalho em equipe, pois a sua associação é o proveito individual ou coletivo praticado através de contravenções que ferem a boa-fé, e que serão reproduzidos nos lares, nas empresas, na vida pública e em qualquer ação do indivíduo que se imergiu culturalmente em práticas cotidianas que tornam difícil resultados produtivos nas diversas áreas da vida.

Para a parte dois deste artigo buscar-se-á definir como a ausência de princípios básicos do trabalho em equipe e suas distorções afetam o desempenho das organizações, do ambiente coletivo e do indivíduo e cria uma relação ora de subserviência, conspiração, das ações obscuras e outros males nas associações.

Rio de Janeiro – Junho de 2013 – Protestos

Protestos Rios - Junho 2013

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Relatório Fotográfico – X CBQEE – Araxá – Minas Gerais

Relatório X CBQEE – Araxá – Minas Gerais –

Foto oficial 1

IX CBQEE - Araxá Minas - Congresso Brasileiro de Qualidade de Energia

IX CBQEE – Araxá Minas – Congresso Brasileiro de Qualidade de Energia

Profº Fernando Nogueira e Profº Hermom Leal

Profº Fernando Nogueira e Profº Hermom Leal

SALÁRIO DOS ENGENHEIROS

Clique aqui: SalarioDoEngenheiro

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A curiosa história do Engenheiro Billings

Créditos: http://cidmahtuk.blogspot.com.br/2011/10/billings.html

A curiosa história do Engenheiro Billings, o homem que fez os rios correrem ao contrário, e mudou para sempre a cidade de São Paulo

 

Engenheiro Billings,

O homem que mudou São Paulo

Capa de uma revista em quadrinhos com a história de sua vida, publicada em 1962

No caminho entre o litoral paulista e a cidade de São Paulo, uma série de tubulações que se erguem pelo gigantesco  paredão rochoso da Serra do Mar chamam a atenção.

São as tubulações externas da “Usina de Cubatão” (Usina Henry Borden), uma das mais excepcionais obras da engenharia brasileira, fruto da criatividade e excelência técnica de um engenheiro que poderia ser classificado como um dos mais brilhantes que já passaram por nossas terras: Asa White Kenney Billings.

Porém, conhecendo um pouco melhor a história desta octogenária obra-prima, você perceberá que as tubulações que desafiam a serra do mar são meros coadjuvantes nesta história…

Rua Líbero Badaró em foto de 1922

Ano em que Billings chegou ao Brasil

Billings, um norte americano de Omaha, nascido em 8 de fevereiro de 1876, chegou ao Brasil em fevereiro de 1922 como engenheiro da Light, a empresa canadense responsável pelo fornecimento de energia elétrica da cidade de São Paulo, pensando em ficar alguns poucos meses. Naquela época, o rápido crescimento da cidade, que começava a dar sinais de industrialização, já apontava um aumento significativo da demanda por energia elétrica.

A Light até hoje fornece energia elétrica para o Rio de Janeiro

http://en.wikipedia.org/wiki/Light_S.A.

Obcecado pela ideia de criar uma maneira de gerar energia de forma eficiente, aproveitando a geografia da cidade, teve uma ideia: Por quê não usar a queda abrupta de mais de 700 metros do planalto paulista para gerar energia elétrica ?

O Sistema idealizado por Billings

Reverter as águas do Rio Pinheiros, e depois lançá-las montanha abaixo, gerando energia elétrica.

A ideia era genial, mas ainda existia um enorme problema: a topografia da cidade fazia com que os rios que nasciam próximos à Serra do Mar, como o Tietê e o Pinheiros, corressem em direção ao centro do estado, e não para o litoral. O que tinha sido uma enorme vantagem para os Bandeirantes, que usaram os rios para explorar os rincões do Brasil, tornava-se um empecilho para as ideias de Billings.

“Piscina” em pleno Rio Pinheiros

Década de 20
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Pinheiros

Mas a perseverança e criatividade do engenheiro americano não tinham limites, e novamente ele teve uma ideia que a princípio mostrava-se absurda: Se os rios não correm para a Serra do Mar, por que não reverter seu curso através de estações elevatórias, formando um reservatório que permita a geração de energia ?

Pelo sistema de Billings, a energia gasta para elevar as águas do Pinheiros até a Serra do Mar

é recuperada plenamente pela Usina Hidrelétrica

Os estudos mostraram que a reversão de toda a bacia do Tietê não seria factível, mas aplicar a ideia de Billings até a confluência entre os Rios Pinheiros e Tietê seria possível. Desta forma, o Rio Pinheiros seria transformado em um canal desde sua foz até a estação de bombeamento da Traição, que elevaria as águas em cerca de 5 metros , conduzindo-as até a base de uma represa que seria construída nos arredores de Santo Amaro, de onde seriam bombeadas até o Reservatório do Rio Grande, a ser formado por esta barragem. As águas seriam conduzidas às turbinas através de tubulações que desceriam a Serra. O maciço da Serra do Mar, que tantos obstáculos havia criado para a colonização do planalto, seria finalmente utilizado a favor dos paulistas.

Confluência dos Rios Pinheiros e Tietê, década de 20

O Rio Pinheiros, antes da retificação coordenada por Billings

À época, o Rio Pinheiros tinha um trajeto sinuoso, formando uma grande várzea inundável, cujos habitantes sofriam com frequentes inundações. O plano de Billings ainda teria a tarefa adicional de aumentar a eficiência do canal que levaria as águas para o reservatório retificando o curso do rio, que traria um efeito colateral interessante: acabar com as enchentes da região.

A Barragem do Rio Grande depois foi expandida, e desde 1949 é chamada de Represa Billings

http://pt.wikipedia.org/wiki/Represa_Billings

Barragem do Rio das Pedras,

onde é possível ver onde termina o planalto e começa o paredão da Serra do Mar

Casa das Vávulas da Usina de Cubatão, no alto da Serra

Vista espetacular da Baixada Santista

Em 1927 tiveram início as obras da Usina Hidrelétrica de Cubatão, a barragem do Rio Grande (que depois foi expandida e ganhou o nome de Represa Billings) e o deslocamento da antiga Estrada Rio-São Paulo, que passava exatamente por uma área que seria submersa.

Fotos da Usina de Cubatão (Henry Borden) durante sua construção

Barragem Rio das Pedras, 1929

Aqui o nível do Reservatório é controlado, e quando sobe muito é jogado serra abaixo até o Rio Cubatão

Casa das Válvulas no alto da Serra

  

Vista das tubulações externas durante a construção da Usina


Depois de problemas de atrasos nas obras durante o período iniciado a partir da Revolução de 32, a retificação do canal do Rio Pinheiros e as estações elevatórias em seu percurso foram concluídas em 1944, acabando com as grandes inundações que ocorriam em suas margens durante séculos (depois, com a impermeabilização do solo, as inundações voltaram, mas esta é outra história…)

Com o sistema em pleno funcionamento, a Usina de Cubatão mostrou-se um sucesso acima das expectativas, pois sua queda de 720 metros e o uso das turbinas Pelton, otimizadas para uso com pouco volume de água, mas com alta queda, tornaram-na uma das mais eficientes do mundo.

Turbina Pelton

Apropriada para pouco volume de água com alta pressão
http://en.wikipedia.org/wiki/Pelton_wheel

 

Turbina Pelton usada em Cubatão entre 1926 e 1975

O reconhecimento mundial do trabalho de Billings veio em 1936, quando a “Institution of Civil Engineers” de Londres convidou-o a apresentar um relatório sobre o trabalho feito no Brasil, especialmente em São Paulo. O documento “Water-Power in Brazil” tornou-se um clássico no assunto, com leitura recomendada nas Escolas de engenharia de todo o mundo. Seu nome é uma constante na lista dos maiores engenheiros do séc. XX.

 

Ordem do Cruzeiro do Sul

Pelos serviços prestados ao país, Billings a recebeu em 1946
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_Nacional_do_Cruzeiro_do_Sul

Durante o período em que Billings esteve no Brasil, entre 1922 e 1949, a geração de energia em São Paulo aumentou de 90 mil quilowatts para mais de 500 mil quilowatts.

.Ilustração mostrando a Usina Subterrânea de Cubatão (Usina Henry Borden)

Construída depois da época de Billings, mas mesmo assim uma obra fantástica

Escavada na rocha, é resistente a bombardeios de qualquer tipo

Depois da aposentadoria de Billings, foi construída outra obra fantástica, uma segunda usina subterrânea ao lado da Usina de Cubatão, totalmente escavada na rocha, com os mesmos 720 metros de queda e turbinas Pelton, aumentando a capacidade de geração de energia para 800 mil quilowatts.

Entrada da Usina Subterrânea

 

Além da geração de energia, a Represa Billings tornou-se um dos principais mananciais da região metropolitana de São Paulo. Infelizmente, na década de 80, a poluição das águas do Pinheiros estava tornando as águas da Represa Billings impraticáveis para consumo humano, e o bombeamento foi interrompido. Com isto, hoje a Usina de Cubatão continua na ativa, mas opera com apenas 1/4 de sua capacidade.

Capivaras à beira do Rio Pinheiros

A poluição é tão alta que a água deixou de ser bombeada para a Represa Billings

Billings faleceu em sua residência na cidade californiana de La Jolla , em 3 de Novembro de 1949, poucos meses depois de ter se aposentado, deixando aquela que foi sua verdadeira pátria, por quem trabalhou incansavelmente.

 

Da próxima vez que estiver dirigindo pela Marginal Pinheiros, apreciando as margens agora um pouco mais limpas da Billings, fazendo compras nos Shoppings paulistas na região do Brooklin , ou melhor, ao acender uma lâmpada ou beber um copo de água, lembre-se que foi um perseverante e criativo engenheiro americano o responsável por algumas das mais importantes intervenções já realizadas na maior metrópole sul-americana.

“O gênio, esse poder que deslumbra os olhos humanos, não é outra coisa senão a perseverança bem disfarçada”

Goethe


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Engº Hermom Leal


1.Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Univ. de Cuiabá - UNIC;
2.Engenheiro Eletricista/Telecomunicações pela Univ.Federal de Mato Grosso;
3.Mestrando em Engenharia de Produção pela Univ. Federal de Rio Grande do Sul (UFRGS);